A Torre de Azazel

Um lugar amaldiçoado e esquecido na costa de Petrynia. E talvez o próximo destino dos heróis de sua campanha!

Localizada em algum ponto da costa sudoeste de Arton, a triste Torre de Azazel é um lugar arruinado, repleto de terror e habitado por um velho mal. É o lar e também a prisão de Azazel, um homem amaldiçoado pelo amor e condenado a viver para sempre sob o peso da loucura. Sua real história é conhecida por poucos e nem mesmo estes creem plenamente na veracidade dela, afinal, tudo isto aconteceu em Petrynia…

armageddon-torre-azazel

Foi num passado distante, talvez anterior à formação do Reinado. Naquele tempo, existiu ali um feudo habitado por pescadores e artesãos.

O governante da região era um marquês severo porém justo chamado Azazel. Apaixonado pelo mar, em uma pequena ilha o nobre ergueu uma imponente torre, tão alta que lhe permitia observar mesmo os mais distantes navios pesqueiros que iam e vinham pela orla, trazendo o sustento e a prosperidade para todos os súditos.

Certo dia, enquanto contemplava a imensidão do Oceano, Azazel ouviu um canto trazido pelo vento marinho. Tratava-se da voz mais melodiosa e incrível que ele jamais ouvira. Cada palavra era repleta de significado, chamando-lhe, implorando por ele. Incapaz de resistir, o rei entrou em um bote e remou sozinho em direção à musica até encontrar uma sereia de longos cabelos cacheados, verdes como as algas do mar. Chamava-se Sirena, e encantada pela presença do marquês, cantou para ele pelo resto daquela tarde.

Quando os últimos raios de luz de Azgher pintaram o céu em tons carmim, Azazel percebeu que a maré havia pouco a pouco levado a ambos perigosamente para dentro do mar, de tal forma que apenas a torre ainda podia ser vista além do horizonte. Distraído pela bela música, por muito pouco não havia perdido a costa de vista, e sem ela, estaria condenado a vagar pela imensidão azul do Oceano até a morte.¹

Sirena percebeu a aflição do nobre e como forma de desculpas, prometeu voltar até aquele mesmo lugar na próxima noite de lua crescente para cantar para ele uma vez mais. Azazel, lisonjeado, prontamente aceitou. Porém, mais tarde enquanto ponderava sobre o acontecido, lembrou-se das inúmeras lendas que permeavam a existência das sereias e não ficou plenamente confiante da bondade dela. Mas pior, temia perdê-la para sempre. Apaixonado e convencido de que não poderia mais viver sem ouvi-la cantar, traçou um plano.

Ordenou que todos os pescadores costurassem as redes umas às outras e as estendessem sob as águas próximas a torre, onde deveriam ficar de prontidão. No dia do reencontro, ainda com o sol à pino, Azazel remou em direção ao mar para esperar por Sirena. Quando enfim a inocente sereia emergiu para cantar, o nobre alegou temer ser novamente arrastado pela maré e a convenceu a aproximar-se mais da costa, levando-a pouco a pouco até a armadilha. Capturada, foi levada até os porões alagados da torre, onde permaneceria trancada para cantar para o marquês até o fim dos dias.

E Sirena cantou. Mas não a melodia doce de quando era livre, e sim um longo e temeroso lamento. Tão profundo e repleto de dor que enlouquecia os homens, inclusive Azazel, que compreendeu o próprio erro. Este implorou a ela, tentou fazê-la compreender de todas as maneiras que, no fim, tudo o que fizera foi por amor a música. Mas foi inútil. Sirena continuou a cantar súplicas, dia e noite, noite e dia até que as águas do Oceano se ergueram em ondas revoltas que foram de encontro ao lugar, libertando-a e arrastando todo o povo ensandecido de culpa para a morte.

Sob as águas, a sereia assistiu aos homens, mulheres e crianças do povoado transformarem-se em monstruosas criaturas marinhas, condenadas à habitar as ruínas submersas e a proteger o marquês enquanto este vivesse. Até hoje, atacam e destroem embarcações que se aproximam demais da torre, ceifando as vidas dos marinheiros incautos que aumentam as  fileiras malditas.

E a Azazel coube a pior dos destinos: viver para todo o sempre, apodrecendo isolado naquela torre fria até o dia em que Sirena regresse e o perdoe. Desesperado e louco, ele passa a eternidade perambulando pelos pavimentos de pedra úmida, imaginando formas de recapturá-la e conquistar enfim o amor. E também o seu perdão.

Rumores e Boatos

  • Em algum lugar da torre de Azazel há um frasco com um elixir que permite que àqueles que dele bebam respirem sob a água por algumas horas. Azazel estaria disposto a entregar o mesmo para um grupo que aceitasse buscar por Sirena e convencê-la a ouvi-lo.
  • Sirena, na verdade, nunca foi cativa da Torre. Ela amaldiçoou os habitantes e o próprio Azazel por ciúmes, e estes só estarão livres do tormento caso a sereia seja destruída.
  • Os piratas do Mar Negro sussurram que dentre os muitos tesouros escondidos nas câmaras secretas da velha torre e nas ruínas da cidadela afundada está uma jóia capaz de controlar as marés. Contudo, o preço a ser pago por ela é a própria maldição da Torre.

(1) Navegando em águas misteriosas

O temor de Azazel em afastar-se da costa se deve ao fato de que em Arton a navegação marítima é pouco desenvolvida. Viajar mar adentro é entregar-se ao desconhecido. Quando do transporte de cargas, praticamente toda ela é feita apenas por cabotagem (sempre próxima da costa, sem nunca perdê-la completamente de vista). Piratas e aventureiros são alguns dos poucos loucos o suficiente para irem muito além disto.

Para mais detalhes sobre viagens distantes pelo mar em Arton, recomendo as matérias do Di Benedetto sobre Portulanos no Blog RPGista Sereias aqui no site da Jambô.

A Torre de Azazel é citada brevemente em O Reinado d20, pág.90

Armageddon • 22/12/2017

Comentários